Sisos (terceiros molares): quando extrair e quando manter
Os sisos são os últimos dentes a nascer e, muitas vezes, não têm espaço suficiente na arcada. Nem todo siso precisa ser extraído: quando nasce bem posicionado e dá para higienizar, pode ser mantido e acompanhado. A remoção costuma ser indicada quando ele causa — ou tem alto risco de causar — dor, infecções ou danos aos dentes vizinhos. A decisão é sempre individual.
O siso é, provavelmente, o dente que mais gera dúvida. Uns nunca dão problema; outros viram fonte de dor e infecções de repetição. A pergunta “preciso tirar?” não tem uma resposta única — ela depende de como o seu siso está. Este guia explica o que são, por que costumam dar trabalho e como se decide entre manter e extrair.
O que são os sisos?
Os sisos são os terceiros molares — os últimos dentes de cada lado da arcada, que costumam nascer entre o fim da adolescência e o início da vida adulta. Nem todo mundo tem os quatro; algumas pessoas têm menos, e há quem não tenha nenhum. O nome “siso” vem de uma antiga associação com a “idade da razão”, quando eles costumam aparecer.
Por que os sisos costumam dar problema?
O principal motivo é falta de espaço. Como são os últimos a nascer, muitas vezes não encontram lugar suficiente na arcada e acabam ficando presos — o que chamamos de siso incluso (que não nasceu) ou impactado (bloqueado por outro dente). Também é comum nascerem inclinados ou apenas parcialmente, deixando uma parte coberta pela gengiva.
Esse cenário favorece o acúmulo de placa e resíduos numa região difícil de limpar, o que abre caminho para os problemas mais comuns.
Problemas mais comuns
- Pericoronarite: inflamação da gengiva que recobre parcialmente um siso que nasceu só em parte. Costuma causar dor, inchaço local, dificuldade para abrir a boca e, às vezes, mau gosto — é uma das causas mais frequentes de dor na região. Como a área é difícil de higienizar, a inflamação tende a voltar de tempos em tempos (infecção de repetição): melhora por um período e retorna, sinalizando um problema que dificilmente se resolve sozinho. Quando essas crises se repetem, costumam ser um dos principais motivos para se considerar a remoção do siso.
- Cárie e problemas de gengiva: a dificuldade de higienização pode levar à cárie no próprio siso ou no dente vizinho, e à inflamação gengival.
- Indicação ortodôntica: em alguns tratamentos, a remoção dos sisos é solicitada pelo ortodontista como parte do planejamento — por exemplo, para viabilizar a movimentação dos dentes ou dentro da estratégia do tratamento.
Outros problemas
Menos frequentes, mas que reforçam a importância do acompanhamento:
- Cistos: sisos inclusos podem estar associados a cistos — bolsas que se formam no osso ao redor do dente e podem crescer, exigindo tratamento.
- Tumores: de forma mais rara, lesões tumorais (em geral benignas) podem se desenvolver associadas a sisos inclusos.
- Reabsorção dentária: em alguns casos, a presença de um siso mal posicionado pode se associar à reabsorção — o desgaste da raiz do dente vizinho ao longo do tempo.
Todo siso precisa ser extraído?
Não — e vale dizer isso com clareza. Nem todo siso precisa sair. Quando ele nasce bem posicionado, é funcional na mastigação e dá para higienizar bem, pode ser mantido e simplesmente acompanhado ao longo do tempo. A ideia de que “todo siso tem que ser arrancado” é um mito: a conduta correta depende de cada caso.
O que orienta a decisão não é a idade nem uma regra fixa, e sim a avaliação individual — exame clínico e radiográfico (muitas vezes uma radiografia panorâmica ou tomografia) que mostram a posição do siso, a relação com estruturas próximas e os riscos envolvidos.
Quando a extração costuma ser indicada
De forma geral, a remoção é considerada quando o siso causa ou tem alto risco de causar problemas, como:
- Dor ou infecções de repetição (pericoronarite recorrente);
- Cárie no siso ou no dente vizinho por impossibilidade de higienizar;
- Dano ao segundo molar ao lado;
- Cistos ou lesões associadas ao siso incluso;
- Posição desfavorável que compromete a saúde da região.
Em outras situações, a conduta pode ser apenas acompanhar. Não existe uma resposta “melhor” universal — existe a mais adequada para o seu caso.
Como é a extração e a recuperação?
A complexidade da extração varia bastante e depende de múltiplos fatores. Seja qual for o caso, é realizada com anestesia local, de modo que o procedimento seja confortável. O tamanho da cirurgia influencia bastante a recuperação.
Sobre a dor e o pós, vale a mesma lógica de outras cirurgias da boca: com a conduta adequada e a medicação, o pós-operatório costuma ser tranquilo. Você pode entender melhor esse ponto no artigo sobre dor e pós-operatório. E, se a ansiedade é o que mais pesa, vale conhecer a sedação consciente, um recurso para tornar o atendimento mais tranquilo.
Perguntas frequentes
Todo siso precisa ser extraído?
Siso que não nasceu (incluso) precisa ser retirado?
Extrair siso dói?
Como é a recuperação da extração de siso?
Qual a melhor idade para extrair o siso?
Quando devo procurar atendimento por causa do siso?
Está com dúvida sobre os seus sisos?
Uma avaliação com radiografia é o caminho para saber se o seu caso pede acompanhamento ou remoção.
Agendar avaliação pelo WhatsAppEste conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui uma consulta. A indicação de manter ou remover um siso depende de avaliação individual, e a recuperação varia de pessoa para pessoa.