OPVS Odontologia · Dr. Victor Cordeiro ← Voltar ao site
Cirurgia Bucomaxilofacial

Sisos: quando extrair e quando manter

Por Victor Cordeiro · Cirurgião-dentista (CRO-PB 4409) · João Pessoa-PB
Em resumo

O siso é cercado de mito — o maior deles é que "todo siso tem que sair". Não tem. Um siso bem posicionado e higienizável pode ser mantido; a remoção entra quando ele dá (ou ameaça dar) problema. O que decide é o exame clínico com imagem.

Poucos dentes geram tanta pergunta no consultório quanto o siso — e poucos carregam tanta lenda. Vale começar desfazendo a maior delas.

O que é o siso e por que ele complica

Os sisos são os terceiros molares, os últimos dentes de cada lado da arcada. Costumam aparecer entre o fim da adolescência e o começo da vida adulta — daí o apelido, ligado à "idade da razão". Nem todo mundo tem os quatro: há quem tenha menos e quem não tenha nenhum.

O problema é geográfico. Por chegarem por último, muitas vezes não sobra espaço na arcada. O siso então pode nascer torto, nascer só pela metade ou ficar preso embaixo da gengiva e do osso. E é justamente aí, num dente escondido no fundo da boca e difícil de limpar, que a placa se acumula e os problemas começam.

O que costuma dar problema

Na prática, a maior parte das queixas de siso cai em três situações:

Pericoronarite

Inflamação da gengiva que cobre um siso semi-irrompido. Dói, incha, dificulta abrir a boca e às vezes dá mau gosto. Como a área não se limpa direito, tende a voltar de tempos em tempos — e essa infecção de repetição é um dos principais motivos para considerar a remoção.

Cárie e problema de gengiva

A dificuldade de higienizar o fundo da boca favorece cárie — no próprio siso ou no dente ao lado — e inflamação da gengiva ao redor.

Indicação ortodôntica

Em alguns tratamentos, o ortodontista pede a remoção dos sisos como parte do planejamento — por exemplo, para viabilizar a movimentação dos dentes.

Cistos, tumores e reabsorção

Menos frequentes, mas importantes: sisos inclusos podem se associar a cistos (que crescem no osso e exigem tratamento), a lesões tumorais em geral benignas ou, ao longo do tempo, à reabsorção da raiz do dente vizinho.

Manter ou remover: os critérios

Não existe regra preestabelecida. O que orienta é o exame clínico somado à radiografia — muitas vezes uma panorâmica ou uma tomografia — que mostram a posição do siso, a relação com estruturas próximas e os riscos reais. Em linhas gerais, os caminhos se separam assim:

Costuma dar para manter

  • Siso irrompido e bem posicionado;
  • Funcional na mastigação;
  • Possível de higienizar bem;
  • Sem sintomas nem sinais de risco na radiografia.

Costuma indicar remover

  • Dor ou infecções que voltam (pericoronarite recorrente);
  • Cárie por impossibilidade de limpar;
  • Prejuízo ao segundo molar ao lado;
  • Cisto ou lesão associada ao siso;
  • Posição desfavorável que ameaça a região.

Quando o siso está no grupo da esquerda, muitas vezes a melhor conduta é simplesmente acompanhar. Manter um siso saudável sob observação é uma decisão tão legítima quanto remover um que dá problema.

A cirurgia e a recuperação

A complexidade da cirurgia varia bastante conforme o caso — de uma remoção simples a um procedimento mais elaborado quando o dente está incluso. Em qualquer situação, é feita com anestesia local, então o procedimento em si é confortável.

Sobre a dor e o pós, vale o mesmo de qualquer cirurgia da boca, e eu detalho isso à parte: veja como é a dor e o pós-operatório. E, se a ansiedade é o que mais pesa para você, conheça a sedação consciente.

Sinais de alerta. Procure avaliação diante de dor persistente atrás do último dente, inchaço na gengiva ou no rosto, febre, dificuldade para abrir a boca ou engolir, ou mau gosto que volta na região. São sinais de inflamação ou infecção — e quanto antes avaliados, melhor. Evite a automedicação.

Perguntas frequentes

Todo siso precisa ser extraído?
Não. Um siso bem posicionado, funcional na mastigação e que dá para higienizar pode ser mantido e acompanhado. A remoção entra em cena quando o dente causa ou ameaça causar problemas, como dor, infecções que voltam ou risco ao dente vizinho. Quem define isso é o exame clínico somado à radiografia, não uma regra fixa.
Siso que não nasceu (incluso) precisa ser retirado?
Nem sempre. Um siso incluso ou impactado sem sintomas e sem riscos pode ficar em acompanhamento. A remoção é indicada quando há dor, infecções de repetição, prejuízo ao dente ao lado, cisto associado ou outro risco visto na radiografia. É o exame de imagem que mostra o que está acontecendo embaixo da gengiva.
Extrair siso dói?
A cirurgia é feita com anestesia local, então é confortável durante o procedimento. O desconforto do pós é controlado com a medicação e costuma ser mais leve do que a fama sugere — muitas vezes menor que o de uma extração comum. O tamanho da cirurgia e seguir as orientações influenciam bastante a recuperação.
Qual a melhor idade para extrair o siso?
Não há uma idade única. Quando existe indicação de remover, fazer mais cedo costuma significar raízes menos formadas e recuperação mais rápida. Mas a decisão vem da avaliação clínica e da radiografia, não da idade isolada.
Quando devo procurar atendimento por causa do siso?
Procure avaliação diante de dor persistente atrás do último dente, inchaço na gengiva ou no rosto, febre, dificuldade para abrir a boca ou engolir, ou mau gosto que volta na região. São sinais de inflamação ou infecção que pedem atenção — e quanto antes, melhor. Evite a automedicação.

Quer saber em que grupo o seu siso está?

Uma avaliação com radiografia responde se o caso pede acompanhamento ou remoção.

Agendar avaliação pelo WhatsApp
Dr. Victor Cordeiro
Victor Cordeiro Cirurgião-dentista · CRO-PB 4409 · Implantodontia, cirurgia bucomaxilofacial e reabilitação oral em João Pessoa-PB.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui uma consulta. A indicação de manter ou remover um siso depende de avaliação individual, e a recuperação varia de pessoa para pessoa.