O siso é cercado de mito — o maior deles é que "todo siso tem que sair". Não tem. Um siso bem posicionado e higienizável pode ser mantido; a remoção entra quando ele dá (ou ameaça dar) problema. O que decide é o exame clínico com imagem.
Poucos dentes geram tanta pergunta no consultório quanto o siso — e poucos carregam tanta lenda. Vale começar desfazendo a maior delas.
O que é o siso e por que ele complica
Os sisos são os terceiros molares, os últimos dentes de cada lado da arcada. Costumam aparecer entre o fim da adolescência e o começo da vida adulta — daí o apelido, ligado à "idade da razão". Nem todo mundo tem os quatro: há quem tenha menos e quem não tenha nenhum.
O problema é geográfico. Por chegarem por último, muitas vezes não sobra espaço na arcada. O siso então pode nascer torto, nascer só pela metade ou ficar preso embaixo da gengiva e do osso. E é justamente aí, num dente escondido no fundo da boca e difícil de limpar, que a placa se acumula e os problemas começam.
O que costuma dar problema
Na prática, a maior parte das queixas de siso cai em três situações:
Pericoronarite
Inflamação da gengiva que cobre um siso semi-irrompido. Dói, incha, dificulta abrir a boca e às vezes dá mau gosto. Como a área não se limpa direito, tende a voltar de tempos em tempos — e essa infecção de repetição é um dos principais motivos para considerar a remoção.
Cárie e problema de gengiva
A dificuldade de higienizar o fundo da boca favorece cárie — no próprio siso ou no dente ao lado — e inflamação da gengiva ao redor.
Indicação ortodôntica
Em alguns tratamentos, o ortodontista pede a remoção dos sisos como parte do planejamento — por exemplo, para viabilizar a movimentação dos dentes.
Cistos, tumores e reabsorção
Menos frequentes, mas importantes: sisos inclusos podem se associar a cistos (que crescem no osso e exigem tratamento), a lesões tumorais em geral benignas ou, ao longo do tempo, à reabsorção da raiz do dente vizinho.
Manter ou remover: os critérios
Não existe regra preestabelecida. O que orienta é o exame clínico somado à radiografia — muitas vezes uma panorâmica ou uma tomografia — que mostram a posição do siso, a relação com estruturas próximas e os riscos reais. Em linhas gerais, os caminhos se separam assim:
Costuma dar para manter
- Siso irrompido e bem posicionado;
- Funcional na mastigação;
- Possível de higienizar bem;
- Sem sintomas nem sinais de risco na radiografia.
Costuma indicar remover
- Dor ou infecções que voltam (pericoronarite recorrente);
- Cárie por impossibilidade de limpar;
- Prejuízo ao segundo molar ao lado;
- Cisto ou lesão associada ao siso;
- Posição desfavorável que ameaça a região.
Quando o siso está no grupo da esquerda, muitas vezes a melhor conduta é simplesmente acompanhar. Manter um siso saudável sob observação é uma decisão tão legítima quanto remover um que dá problema.
A cirurgia e a recuperação
A complexidade da cirurgia varia bastante conforme o caso — de uma remoção simples a um procedimento mais elaborado quando o dente está incluso. Em qualquer situação, é feita com anestesia local, então o procedimento em si é confortável.
Sobre a dor e o pós, vale o mesmo de qualquer cirurgia da boca, e eu detalho isso à parte: veja como é a dor e o pós-operatório. E, se a ansiedade é o que mais pesa para você, conheça a sedação consciente.
Perguntas frequentes
Todo siso precisa ser extraído?
Siso que não nasceu (incluso) precisa ser retirado?
Extrair siso dói?
Qual a melhor idade para extrair o siso?
Quando devo procurar atendimento por causa do siso?
Quer saber em que grupo o seu siso está?
Uma avaliação com radiografia responde se o caso pede acompanhamento ou remoção.
Agendar avaliação pelo WhatsAppEste conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui uma consulta. A indicação de manter ou remover um siso depende de avaliação individual, e a recuperação varia de pessoa para pessoa.